Entrevista do autor: Osvaldo Della Giustina

Entrevista do autor: Osvaldo Della Giustina

Quem é você essencialmente, em poucas linhas?

De formação, um filósofo e jornalista profundamente inserido, por uma longa experiência de vida refletida e participada, na realidade social, assumida em  seus dramas e suas potencialidades, e absolutamente consciente das responsabilidades de cada um e da humanidade de, aproveitando o momento de transformação trazidos pelos avanços da Ciência e da Tecnologia, construir uma Civilização Participativa e Solidária, com os  conteúdos e a dimensão proposta no livro.

Um dia perfeito começa com ? E termina com?

Um dia perfeito começa com a alegria de poder viver a vida em plenitude, com saúde de corpo e espírito para mais um dia de dedicação às coisas em que se acredita e na certeza de ser amado e amar muito, sem limites…

…e termina com certeza de que valeu…de que não foi um dia vazio, mas que deixou alguma coisa realizada em seu rastro.

Seu livro mais recente é ”Participação e Solidariedade”. Qual é a Mensagem que você deseja transmitir ao leitor?

Vivemos num momento do processo civilizatório em que, nos últimos cem anos, os avanços da Ciência e da Tecnologia transformaram o mundo, inclusive o Planeta, numa dimensão tal como jamais acontecera ou se imaginara que pudesse acontecer na história humana.

 No entanto, até hoje não se fez a consciência suficiente de que vivemos impregnados em conceitos e numa ordem social, política, econômica, ética, enfim… originada na primeira revolução industrial, ou tecnológica, nos séculos XVII,XVIII e XIX-capitalismo, socialismo, direita esquerda, etc. num tempo, portanto, anterior a esta nova revolução científica e tecnológica que transformou o mundo e o Planeta, globalizando tudo, condicionando tudo aos sistemas globais e a um mundo funcionando instantaneamente em rede, entre outras transformações em todos os setores da vida humana.

Ora este imobilismo da ordem social face à velocidade das transformações cientificas e tecnológicas não é sustentável e caminha numa velocidade em crescimento exponencial para alguma forma de ruptura, cuja maior vítima será a espécie humana, se essa tendência não for reequilibrada, e revertida com equivalente urgência.

Mas além desta consciência e com a mesma velocidade das transformações, é necessário desenvolver novos fundamentos e novas formas de organização social capazes de reverter essa tendência à ruptura, e criar uma nova Civilização, a Civilização Pos-tecnológica, onde se preserve  ou se restabeleça a sintonia entre o desenvolvimento científico e tecnológico e as dimensões humanas.

Enfim, não basta perceber o momento civilizatório. Não basta tomar consciência da insustentabilidade da ordem social e da necessidade urgente de criar novos fundamentos e formas de organizar a nova sociedade. É igualmente urgente identificar quais são esses fundamentos e transformá-los em instrumentos concretas da nova Organização Social.

O Livro PARTICIPAÇÃO E SOLIDARIEDADE, a Revolução do Terceiro Milênio (II) identifica na Participação e na Solidariedade os novos fundamentos que, tomando o lugar da competição e da concentração que graças à Revolução Científica e Tecnológica se tornaram ilimitadas, incontroláveis e desumanos, sejam capazes de restabelecer o equilíbrio entre as dimensões humanas e os avanços da Ciência e da Tecnologia.

Esses novos fundamentos podem tornar-se concretas, inspirando as instituições da nova Civilização.

A Participação fará prevalecer a Desconcentração das instituições sociais, todas, e instrumento de permitir que as pessoas, os países, as regiões, participem dos avanços da Ciência e da Tecnologia e de seus benefícios, ao contrário da concentração que as exclui.  A Solidariedade fará prevalecer a Cooperação sobre a competição que acaba levando a toda forma de conflito, a desarmonia e a violência na sociedade e, em sua forma estremas entre as nações, à miséria, às revoluções e às guerras.

Qual é a importância da Solidariedade?

No livro Participação e Solidariedade lembro que o conceito que se tem hoje de solidariedade é equivalente ao conceito que se tinha de justiça nos tempos antigos. As pessoas, ou os Estados não eram obrigados a ser justos, os mais fortes podiam explorar, destruir os mais fracos. As pessoas justas eram consideradas virtuosas, e eram honradas pela sociedade por serem virtuosas. A Justiça era considerada apenas uma virtude, exatamente como hoje é considerada a solidariedade: as pessoas ou as Nações solidarias  são honradas quando são solidárias, mas não são obrigadas a ser solidárias.

É preciso que, como a Justiça, a Solidariedade deixe de ser considerada apenas uma virtude para ser reconhecida como uma instituição com força jurídica, porque diante do poder da Ciência e da Tecnologia e a força que ele atribui aos que o detém, já não é possível estabelecer a Justiça.

Qual o princípio da Participação?

A Concentração exclui e é um equívoco imaginar-se que numa segundo momento os que são excluídos inicialmente acabarão por ser beneficiados também pela concentração. Há duas consequências terríveis desse equívoco.

 Essa participação a posteriori seria compensatória se esse “a posteriori” fosse imediato. Mas ocorre que acontece um gap crescente entre a velocidade da exclusão e a demora do acesso dos excluídos aos mesmos benefícios que, além disso ,quando ocorrem, vão ser sempre menores que os benefícios concentrados.

Há outra questão que considero mais grave. Refiro-me à perda da liberdade dos excluídos, a quem só resta enquadrar-se  no produto da concentração, que acaba sempre por impor a tudo, os usos, os costumes, os  gostos, a cultura, as consciências. Só o princípio, ou o fundamento da participação, inspirando o instrumento da desconcentração, é a garantida da pluralidade, da autonomia e da liberdade.

Quais são alguns exemplos da solidariedade no mundo?

Creio importante, como faz o livro, considerar o conceito de Massa de Consciência. Independentemente de Nação, raça, religião ou qualquer outro atributo, milhões de pessoas, talvez bilhões, no mundo são movidas por novo valores, tais como direitos humanos, paz, respeito à natureza, solidariedade…enfim. Infelizmente, essas pessoas vivem isoladas e sem uma teoria de organização que institucionalize esses valores, ou essas aspirações.

No entanto, a toda hora, em qualquer parte do mundo, pode-se encontrar ações de solidariedade e em tem faltado ocasiões em que essa consciência se manifesta. Refiro-me não só por ocasião de desastres naturais, ou como ocorre hoje com médicos e profissionais da saúde na   pandemia do corona vírus e em outras ocasiões,  mas no acolhimento ,seja a refugiados, seja a necessitados em geral, seja no ir às ruas para protestar contra injustiças, ou exigir a paz, o respeito a natureza.

Também devem se considerar instituições de solidariedade e não posso deixar de citar coimo exemplo o Médicos sem Fronteira, mas há milhares de associações, clubes, organizações comunitárias, igrejas, inclusive empresas que se dedicam à solidariedade.

Enfim, também, não posso deixar de citar a União Europeia, que vejo como um exemplo de solidariedade entre países, países que faz mal um   século, em menos de 50 anos levaram o mundo a duas guerras mundiais que causaram mais de 100 milhões de mortes e indisíveis angustias e sofrimentos ao mundo. Sei que há também resistências e outros interesses por traz dessa união, mas é preciso realçar esse imenso passo no rumo da Solidariedade entre povos e Nações.

O grande problema é que as instituições que ordenam a sociedade não são solidárias, ao contrário. O mundo, a civilização em que vivemos, continua sendo organizado por instituições que fabricam desigualdades e injustiças, que ultrapassam ao dobro os benefícios dos que são solidários e são essa instituições concentradas e concentradoras objeto do livro, que devem ser transformadas.

Qual seria sua palavra de encorajamento para a humanidade?

Como palavra de encorajamento à humanidade, eu diria de minha segurança em afirmar que um mundo melhor, mais humano, mais participativo e solidário virá necessariamente, não apenas  por ser desejável, ou como uma proposta mais ou menos utopia ,mais ou menos moralista, mas por um imperativo do processo civilizatório que os avanços da Ciência e da Tecnologia impõem  e viabilizam ,como condição de sustentabilidade da Civilização, o que quer dizer, do Planeta e, portanto, da espécie humana.

A questão é o preço que a humanidade irá pagar para chegar a esse mundo diferente. Mas com segurança afirmo que o preço a ser pago será proporcional à oposição que se fizer à transformação, ou à ausência dos que, podendo ter feito, nada fizeram ou não fizeram o suficiente, em favor  da mudança. Alerto que  nesta transformação a responsabilidade do Papa, do Presidente dos Estados Unidos ou do Presidente da China não é diferente do que a responsabilidade individual . O que os diferencia é apenas o espaço de cada um, mas cada um tem a mesma responsabilidade no limite de seu espaço.

Na ocupação deste espaço de responsabilidade individual, cuja soma constitui a Massa de Consciência, está o tamanho do preço a ser pago ou a dimensão da recompensa pelo advento  da nova civilização, a Civilização da Participação e da Solidariedade, ou  mundo amorizado, como proposto no livro PARTICIPAÇÃO E SOLIDARIEDADE, a Revolução do terceiro Milênio (II).